quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Número de contas atrasadas pelo consumidor cresce mais

aumento da inadimplência mais que dobrou no Rio Grande do Norte neste ano. No acumulado de janeiro a julho de 2014, o Estado registrou um crescimento de 10,5%, frente aos 4,3% do mesmo período de 2013. Mas a variação no número de dívidas atrasadas entre os potiguares nos sete primeiros meses de 2014 poderia ser ainda maior, não fossem os números de julho. No mês passado, o RN teve queda de 27,5% na inadimplência, em relação a julho de 2013. O dado diverge do que ocorreu em junho, quando as contas em atraso cresceram 20,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os números são do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) no RN.

O aumento da inadimplência é apontado por representantes do comércio potiguar com um dos vilões para que o ano não tenha sido dos melhores em vendas. “Estamos com juros altos, inflação alta, o crédito diminuiu, a inadimplência está aumentando e isso tudo está gerando essa situação no mercado de maneira geral”, avaliou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Natal), Amauri Fonseca, em reportagem publicada na última quinta-feira.

Dados da Fecomércio-RN mostram que o percentual de crescimento acumulado nas vendas de janeiro a junho deste ano foi de 3,2%, bem abaixo dos 9,4% registrados no mesmo período de 2013.

Exceção
O coordenador do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) no Estado, Augusto Vaz, que também é vice-presidente da CDL Natal, explica que desde agosto de 2013 os números de inadimplência no RN vem crescendo, com exceção em alguns meses, como registrado em julho. “Nos sete meses do acumulado do ano, bem mais da metade do tempo houve aumento da inadimplência”, diz.

Ainda assim, não fosse julho, o crescimento no número de dívidas atrasadas poderia ser bem maior. “Em julho, demos uma revertida na inadimplência do Rio Grande do Norte, que vinha sendo alta no semestre. Isso está fora do padrão nacional”, explica.

Na avaliação do coordenador do SPC no RN, é preciso lembrar que a queda de 27,5% na inadimplência em julho não pode ser tomada como uma tendência, mas sim uma “fotografia do momento”. “Teremos os números de agosto em setembro. Aí poderemos identificar se essa é uma tendência ou se é algo pontual”, acrescenta.

Para Augusto Vaz, os motivos para a queda em julho no número de dívidas em atraso pode estar relacionado à Copa do Mundo, já que no período as pessoas estavam focadas no Mundial. “Na hora que acaba um evento desse porte, as pessoas tendem a se organizar para quitar suas dívidas. É como acontece no Brasil após um Carnaval”, analisa.

Outro fator que pode ter levado os potiguares a quitarem seus débitos, segundo Vaz, pode estar relacionado ao pagamento da parcela do 13º salário. No dia 16 de julho, o Governo do Estado pagou a primeira parcela, de 20%. Embora a inadimplência tenha recuado em julho, o comércio não registrou boas vendas no período. “Tivemos baixo consumo. Se sobrou um pouco de dinheiro, as pessoas usaram para negociar as dívidas”, avalia Augusto Vaz.


Tribuna do Norte

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