segunda-feira, 26 de maio de 2014

RN tem uma diminuição de 46,8 mil eleitores

O número de eleitores aptos a votar nas eleições de outubro deste ano no Rio Grande do Norte segue na contramão do país. Enquanto o   eleitorado nacional teve um incremento de 4,43%, o potiguar é 2% menor, ou seja, 46,8 mil a menos, na comparação com o total de votantes habilitados nas eleições de 2012. São 2.302.448 eleitores hoje ante os 2.349.281 em condições de participar do pleito anterior. Em Natal, a redução é um pouco maior: 4,57%, cerca de 24 mil pessoas não estariam habilitadas. O número de eleitores em Natal soma pouco mais de 500 mil. 

Os dados são do último levantamento feito pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE/RN), a pedido da TRIBUNA DO NORTE, após a conclusão do processo de cadastramento encerrado no último dia 7 de maio. Contudo, os dados consolidados só serão divulgados pelo TRE/RN no final de junho e devem apresentar baixa variação, de acordo com o Tribunal.

Para ter dimensão da queda, observam especialistas, a diferença entre os que compareceram ao cadastramento até 7 de maio de 2014 e o total computado há dois anos é suficiente para eleger um deputado estadual no RN. Em 2010, dos 24 deputados eleitos para ocupar a Assembleia Legislativa, nove tiveram mais de 46 mil votos. O parlamentar mais votado, Antônio Jácome (PMN) teve 54.743 sufrágios, enquanto o de menor número de votos, o petista Fernando Mineiro ficou com  24.718. 


Para o procurador da República, Edilson França, que irá coordenar o Comitê de Combate a Corrupção nas Eleições 2014 da OAB/RN, a queda já era esperada. “Além do comodismo de alguns eleitores, há um evidente desencanto com a política, tal como essa atividade vem sendo praticada por alguns políticos. É uma pena, porque a participação do eleitor é fundamental numa democracia”, lamenta.

O estatístico Mardone França avalia que a repercussão no pleito de outubro só pode ser apreciada sob o prisma  quantitativo, haja vista que o perfil social, econômico e cultural dos eleitores “arredios” ainda não foi divulgado pelo TRE. “O impacto não será tão significativo, que possa prejudicar a representatividade politica”, analisa Mardone.

Outro dado que chama atenção é a estimativa de títulos cancelados esse ano, que poderá chegar a 75 mil, segundo a Justiça Eleitoral. Várias razões podem incorrer para o índice, observa o estatístico Mardone França, que vão desde a dispensa da  população idosa, como também jovens com 16 e 17 anos que estejam decepcionados com a politica e reagem dessa forma.

É preciso considerar também, analisa o representante do Comitê da OAB/RN, Edilson França, “que a revisão biométrica, efetivamente, erradicou a dupla inscrição e outra qualquer forma de fraude dentro desse campo”, destaca ele.

Natal 
Em Natal, o número de eleitores a menos (24 mil) também poderia decidir as eleições. Dos 29 parlamentares eleitos para o Legislativo Municipal, apenas um obteve mais de 24 mil votos, a vereadora Amanda Gurgel (PSTU), que contabilizou 32.819 votos. O segundo mais votado teve 9,5 mil.

Em algumas zonas eleitorais da capital, a 4ª e 69ª, se percebe queda de 5% entre o número de votantes que fizeram a revisão biométrica 2014 e os aptos, em 2012. “Além do descontentamento evidente, nas regiões onde a ausência do Estado é mais sentida, revela-se natural que o eleitor se faça mais ausente e desinteressado”, disse.


Bate-papo - Antônio Spinelli Cientista político e professor da Universidade Federal do RN

Que leitura podemos fazer dessa redução no número de eleitores no Estado?
À primeira vista, a redução no número de eleitores é inesperada, uma vez que a população do Estado e da capital cresceu nesse período. Porém, diversos fatores devem ser considerados: o primeiro são as dificuldades do processo de recadastramento, implicando que uma parcela residual do eleitorado não foi adequadamente mobilizada para se recadastrar. Outro ponto: a pirâmide demográfica vem sofrendo modificações devido à baixa da taxa de natalidade e ao envelhecimento da população; com isso, cresce a faixa da população com mais de 70 anos, legalmente desobrigada do exercício do voto; é possível que parte desses, por desinteresse ou por impossibilidade, tenha se alienado da política eleitoral. Por outro lado, aqui o terceiro ponto, é possível que parte dos jovens de 16 e 17 anos, legalmente aptos a votar mas não obrigados a isso, tenham resolvido adiar a obtenção do título. Só é possível avaliar o impacto desses fatores com dados estatísticos detalhados e precisos, que não temos nesse momento.

O contexto político e de movimentos sociais podem ter influenciado?
Não se pode deixar de levar em conta a possível influência da atual conjuntura política mundial e nacional, além de estadual, permeada por intensas mobilizações de rua que formulam demandas ao sistema político como um todo e atuam por fora do sistema representativo institucionalizado. Esses fatos, juntamente com uma cobertura midiática que desvaloriza persistentemente a política, podem conduzir certos estratos da população, sobretudo o estrato de pessoas mais jovens, a se afastar da política eleitoral. Pode ser que tudo isso venha a se refletir numa maior taxa de abstenção eleitoral e de votos nulos e brancos. Não acredito, porém, que isso vá ao ponto de constituir uma deslegitimação das eleições.
 
Quais implicações podem trazer para o pleito de outubro, caso esta queda se mantenha ao final do processo de regularização? 
É difícil saber o impacto sobre as eleições em si porque a não participação teria, teoricamente, o sentido de recusa a todo o quadro partidário vigente. Mas, pode ser indicativo do início de uma tendência a uma maior abstenção eleitoral nos próximos pleitos. 


Tribuna do Norte

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